“Quinze anos de pura frustração”
pensou a garota normal enquanto parecia
cada vez mais feliz com seu bolinho de chocolate lambuzando as mãos.
Ela deveria estipular algumas regras
básicas a sua vida, uma delas seria parar de comer tanto chocolate, a segunda
era estudar mais para matemática e a terceira era dar mais valor a quem gostava
dela.
Não era tão difícil, o último
tópico, não eram tantas pessoas a gastar um tempo com ela, suas incertezas e
lamentações, era uma egoísta, falava para si mesma o tempo todo.
Tanta gente com tantos problemas
mais graves como fome, sede, falta de dinheiro. E ela reclamando por não ter
certeza de quem é.
“'Vou tentar experimentar de tudo
até me encontrar’ pensou consigo mesma, mas desistiu quando percebeu que não
era corajosa o bastante”.
Até que ela olhou para o lado e era
como se uma luz divina estivesse pousando por sobre a câmera semi-profissional
que estava na vitrine de uma loja perto da padaria onde ela afogava suas mágoas
em deliciosos doces artesanais.
E assim a garota egoísta adotou três
crianças africanas.
Ela, que tinha mais carne do que o
permitido, entrou de cabeça no mundo das fotografias, hoje ela trabalha
fotografando modelos magérrimas que não podem comer chocolate, e adivinha? Ela
foi reprovada em matemática, ela nunca parou de comer chocolate e se apaixonou
milhões de vezes por quem não lhe dava valor
Pergunte-me se ela é feliz? Sim, ela
é, mesmo não seguindo nenhuma das regras que deveria. E eu hoje digo: Não
existe caminho para a felicidade, apenas seja satisfeita com o que você é, a
felicidade é conseqüência.
Por Nathy Carvalho

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